BIOTECNOLOGIA – Tumores cerebrais e nanopartículas

     Os gliomas são tumores compostos de células derivadas do tecido neuroglial. O tecido neuroglial consiste no tecido que possui como função a sustentação e proteção das células do sistema nervoso. Existem 3 tipos principais de células gliais: astrócitos, oligodendrócitos e células ependimais. Esses tumores que são formados no cérebro e na medula espinhal são classificados de acordo com o tipo celular, localização, e também pela categoria as quais pertencem. No último caso, a categoria é baseada nas características microscópicas das células tumorais, em comparação a células normais. Alguns exemplos de tipos de glioma incluem: gliomas ópticos (afetam o nervo óptico no cérebro), tumores oligodendrogliais (possuem como origem os oligodendrócitos) e ependimonas (possuem como origem as células ependimais). O glioblastoma é o tipo de tumor que ocorre com maior frequência e é considerado um dos mais agressivos.

     Os tratamentos convencionais incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Porém essas estratégias possuem um efeito limitado. A limitação do tratamento através de quimioterapia é devida principalmente a penetração reduzida desses medicamentos no tecido cerebral além de estar associada ao desenvolvimento de resistência. A penetração reduzida tem estimulado pesquisadores a desenvolver novas estratégias que visam otimizar o direcionamento desses medicamentos de forma mais eficiente, minimizando inclusive a toxicidade em tecidos saudáveis. As chamadas “plataformas de nanotecnologia” que estão sendo desenvolvidas para o tratamento em tecidos cerebrais envolvem: nanopartículas poliméricas, lipossomas, dendrímeros, nanoconchas, nanotubos de carbono, nanopartículas superparamagnéticas e nanopartículas à base de ácidos nucleicos (DNA, RNA de interferência [RNAi] e oligonucleotideos anti-senso). As nanopartículas atuam no direcionamento de medicamentos que possuem um peso molecular pequeno, além de proteínas, peptídeos e até genes!! As nanopartículas possuem características interessantes para serem utilizadas como carreadoras, como por exemplo, presença de carga superficial e capacidade de alterar a sua superfície através de adição de moléculas ligantes e anticorpos que possam reconhecer o tecido alvo específico. A capacidade de modificação através de adição de moléculas de reconhecimento de um tecido específico melhora de forma significativa a sua biodistribuição e farmacocinética. As características mencionadas acima apontam as nanopartículas como ferramentas inovadoras para a utilização na chamada “medicina personalizada”, onde poderiam transportar grandes doses de agentes terapêuticos especificamente em células malignas, evitando as células saudáveis.

Para saber mais:

Acta Medica (Hradec Kralove). 2015;57(4):142-50. doi: 10.14712/18059694.2015.79.

Nanotechnology – new trends in the treatment of brain tumours.

Krůpa PŘehák SDiaz-Garcia DFilip S.

 

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A UFF possui o Programa de Pós-Graduação em Ciências e Biotecnologia (PPBI) que faz parte do Instituto de Biologia. O Programa possui linhas de pesquisa envolvendo o estudo de marcadores biológicos na neuroinflamação e de alterações moleculares associados com a progressão clínica dos gliomas. Para informações mais detalhadas acesse: http://www.biotec.uff.br/